LC (Letra de Câmbio)
LC é a sigla para Letra de Câmbio, que é um produto de renda fixa privada. Ela é emitida por instituições financeiras e é semelhante aos títulos emitidos por bancos.
De forma geral, a LC é menos conhecida pelos investidores do que os títulos públicos ou as alternativas privadas. Porém, por ser uma opção segura e com possibilidades de rendimento acima de muitos investimentos da renda fixa, as LCs estão ganhando espaço.
A Letra de Câmbio existe, basicamente, a partir de relações de crédito. Ela é utilizada por financeiras — como sociedades de financiamento, crédito e investimento — para captar recursos no mercado.
Por se tratar de um título de crédito que representa uma ordem de pagamento, as sociedades de crédito utilizam o dinheiro dos investidores para emprestar o montante e receber juros. Em troca, elas devolvem o valor aplicado acrescido de uma rentabilidade no fim do prazo acordado.
A principal diferença entre a LC e os demais investimentos de renda fixa é que as financeiras podem apresentar riscos um pouco maiores do que outras instituições. Normalmente esse risco é considerado na oferta de taxas de rendimento mais atrativas aos investidores.
Afinal, é necessário remunerar melhor o investidor para que ele aceite correr riscos mais elevados, certo? Por isso, as LCs podem ser uma possibilidade para quem tem mais apetite ao risco e busca diversificar a carteira de investimentos sem abrir mão da estabilidade característica da renda fixa.
Tipos de Letra de Câmbio
Assim como outros investimentos da renda fixa, as Letras de Câmbio oferecem três tipos diferentes de rentabilidade: prefixada, pós-fixada e híbrida. Cada uma delas tem suas características e podem ser mais ou menos adequadas a determinados cenários econômicos.
Além disso, o aporte em LCs de diferentes lógicas de rentabilidade pode ajudar a compor um portfólio um pouco mais diversificado, dependendo da sua estratégia.
Saiba mais sobre cada tipo de Letra de Câmbio a seguir:
LC prefixada
A LC pode ter taxas de juros prefixadas. Isso significa que a rentabilidade do investimento é conhecida desde o momento da contratação. Ou seja, o investidor fica sabendo desde o início quanto receberá no fim do prazo acordado.
Quem investe nesse tipo de LC já conhece seu retorno absoluto na hora da aplicação. Se a taxa for de 10% ao ano, por exemplo, basta multiplicar o valor aportado e o tempo de investimento pelo índice para saber o resultado.
É importante ressaltar que esse tipo de investimento exige um olhar mais atento ao cenário econômico e às perspectivas futuras. Lembre-se de que a taxa será a mesma até o final do prazo e existe o risco de ter rendimentos menores se a inflação aumentar.
Além disso, se a Selic — a taxa básica de juros da economia brasileira — começar a subir, por exemplo, até mesmo uma taxa prefixada considerada alta pode perder parte da sua atratividade ao longo dos anos. Portanto, antes de escolher esse tipo de LC não deixe de analisar os possíveis cenários.
LC pós-fixada
Por outro lado, existe a LC pós-fixada. Assim como em outros investimentos, costuma ser o modelo de aplicação mais popular entre os investidores. Nesse caso, a rentabilidade do investimento é normalmente vinculada ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI).
O CDI é uma taxa de juros com valor próximo ao da Selic. Um rendimento pós-fixado, portanto, acompanha as oscilações da taxa. Assim, no vencimento do título, o investidor receberá os juros de acordo com o percentual da taxa contratado — 100% do CDI, por exemplo.
LC híbrida
Existe uma terceira possibilidade de rentabilidade para as Letras de Câmbio. Nesse caso, ela combina as características das duas modalidades anteriores. A LC híbrida apresenta parte da remuneração a uma taxa fixa, mas também acompanha um índice econômico.
Em geral, é comum que a parte da remuneração com variação acompanhe algum índice da inflação. Um dos mais usados é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A vantagem da taxa prefixada além do IPCA é a garantia de obter retornos acima da inflação.
Assim, o investidor conta com uma proteção interessante no longo prazo. Como não se sabe ao certo como estará a situação econômica do país nos próximos anos, é possível ter mais certeza de um ganho real acima da inflação do período.
Como funciona o investimento em LC?
Agora que você sabe o que é LC e conhece um pouco mais sobre as características do investimento, precisa entender que um título de Letra de Câmbio pode ser bem diferente de outro. Cada um possui particularidades específicas que devem ser consideradas no momento de investir.
Entenda como o investimento funciona em termos de rentabilidade, valor mínimo, prazos, resgates e tributação:
Rentabilidade
Como você viu, existem diferentes lógicas de rentabilidade dos diferentes tipos de LCs. Além disso, é importante entender que os rendimentos estão diretamente relacionados às financeiras que emitem os títulos.
Como em outros investimentos, a promessa de juros tende a estar relacionada aos riscos da aplicação. Por esse motivo, a tendência é que as instituições menores (e mais arriscadas) ofereçam taxas mais atrativas para captar mais investidores.
Também há relação entre o tempo que o dinheiro fica investido e a expectativa de rendimento. De modo geral, quanto maior o tempo de investimento, maior o retorno prometido. Isso porque quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, maior pode ser o risco.
Valor mínimo para investimento
Com relação ao valor mínimo para aplicação, depende do que a instituição emissora da LC define como necessário. No entanto, os valores iniciais tendem a ser mais altos do que outros investimentos de renda fixa.
Prazos e resgate
Assim como as outras características, o prazo dos investimentos em LCs pode variar bastante. A média é entre dois e sete anos. É muito importante que o investidor procure respeitar o período definido no momento da compra do título, pois a liquidez é baixa.
Manter o valor até o vencimento ajuda a evitar perdas financeiras. Por isso, é interessante que você tenha disponibilidade de deixar o dinheiro investido por períodos mais longos. Ou seja, as LCs podem ser mais indicadas para objetivos de médio e longo prazo.
Tributação
Letras de Câmbio e outros investimentos de renda fixa estão sujeitos à tabela regressiva do Imposto de Renda (IR). Isso significa que quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor será a alíquota do IR que o investidor deverá pagar.
O valor fica retido na fonte, no momento do resgate e o IR é cobrado sobre os rendimentos. De forma resumida, a cobrança funciona da seguinte forma:
- prazo abaixo de 6 meses: alíquota de 22,5% sobre o lucro;
- prazos de 6 meses a 1 ano: 20% sobre o lucro;
- prazos de 1 a 2 anos: 17,5% sobre o lucro;
- prazos acima de 2 anos: 15% sobre o lucro.
A Letra de câmbio é garantida pelo FGC?
Uma dúvida muito comum dos investidores que optam pela renda fixa visando a segurança é se o investimento é coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito. O FGC é uma instituição privada sem fins lucrativos criada para colaborar com a estabilidade do sistema financeiro nacional.
O principal objetivo dele é prevenir a existência de crises bancárias sistêmica no país. Por isso, muitos investidores conhecem o FGC porque a instituição faz o pagamento de pendências deixadas por bancos que decretam falência e não honram seus compromissos financeiros.
Assim, ele ajuda a evitar o calote das instituições financeiras aos investidores. No entanto, nem todos os investimentos de renda fixa são garantidos. A boa notícia é que as Letras de Câmbio contam sim com a proteção do fundo. Isso gera mais segurança para as suas aplicações em LCs.
A existência do Fundo Garantidor de Crédito também promove mais confiança no sistema financeiro brasileiro e nos investimentos. Assim, você poderá contar com mecanismos que realizam controle e acompanhamento das atividades financeiras no país.
Recursos assim são ainda mais importantes para investidores menores. Dessa forma, o controle de riscos representa um estímulo para que mais pessoas confiem no mercado financeiro e façam investimentos.
Mas é importante ressaltar que existe um limite da restituição oferecida pelo FGC. O fundo garante o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira que abrir falência. Além disso, há o teto global de ressarcimento de R$ 1 milhão para o investidor a cada 4 anos.